MATCHMAKER
de Allard van Hoorn
A tão famosa luz de Salvador - considerada especial por fotógrafos e cineastas do mundo inteiro - é agora objeto de estudo do artista visual holandês Allard Van Hoorn. Há dois meses residindo na cidade, Allard iniciou uma pesquisa sobre as diferentes cores e tonalidades que fazem das paisagens, construções e elementos locais um verdadeiro cenário a céu aberto. Munido de uma Escala Pantone® de Cores e de uma câmera de vídeo, ele percorreu a cidade registrando o que via e buscando classificar as cores a partir dos códigos Pantone®. Uma tentativa de criar um sistema que ajudasse a traduzir suas impressões e a descrever a cidade. A exposição Machtmaker tem abertura no dia 22 de abril, às 19h, na Galeria 3 do MAM.
“O homem empenha-se em dominar a matéria e, para isso, usa a ciência, a teoria e a linguagem tentando qualificar, quantificar e classificar os fenômenos naturais ao seu redor. Sejam as cores de um pôr-do-sol até a maneira como se cristaliza um floco de neve, inventamos sistemas que descrevem e, dessa forma, explicam esses fenômenos”, afirma o artista.
Allard Van Hoorn tem realizado pesquisas e processos criativos em diferentes países da Europa, Ásia e América do Sul. Em todos estes lugares, ele busca criar sistemas diferenciados que possibilitem o estudo, a descrição e a classificação para traduzir cada um destes lugares, estabelecendo também uma relação de troca com o local. Na China, por exemplo, pesquisou a música e a dança para tentar entender a cidade. Em outros lugares, já se debruçou sobre a arquitetura e a gastronomia para conhecer e transcrever as cidades e seu modo de vida. Em Salvador, iniciou um sistema diferenciado, a partir das cores.
“A luz em Salvador da Bahia não pode ser comparada a nada que já tenha visto antes. A intensidade, a nitidez e o contraste criam um efeito surrealista. Às vezes parece que está tudo iluminado como em um estúdio”, conta Allard. Tentar entender e traduzir Salvador a partir das suas cores era a proposta do artista. Para isto, ele buscou a classificação criada pela Pantone®, empresa que registrou um Sistema de Combinação de Cores e criou códigos para uma centena de tonalidades de cores: “Praticamente, estão lá, na Escala Pantone®, todas as cores possíveis que vemos ao nosso redor”.
Mas, a que conclusões chegou Allard com sua pesquisa? Existem cores predominantes nos cenários de Salvador? Quais as cores que lhe chamaram mais a atenção? Perguntas que o artista deixa sem respostas. “Após a pesquisa, percebi, por exemplo, que não podemos dizer realmente que cor tem o mar de Salvador. Estou morando na Barra, na orla, e a cada momento que tento classificar a cor do mar ela é diferente. Seja pela incidência da luz ou da posição do sol, se foi formado um banco de areia, se passa uma nuvem pelo céu ou um surfista fazendo espuma ao pegar uma onda, o número do Pantone® é diferente. Assim como são as pessoas e a alma deste lugar”.
Antes da exposição, o artista realiza oficinas com crianças da Associação de Moradores do Unhão, vizinha ao MAM. Eles também vão fazer o mesmo processo do artista, com uma câmera de vídeo e a escala Pantone® nas mãos, buscando classificar as cores do MAM, do Solar do Unhão e do entorno. Os resultados da oficina com as crianças vão estar expostos em um dos três monitores de vídeo que forma a instalação do artista. O público também vai poder manusear a escala Pantone® e fazer a mesma experiência, durante a visitação.
Para a classe artística e demais interessados, o MAM vai promover ainda uma conversa com Allard, no mesmo dia da abertura da exposição, 22 de abril, às 20h. “A exposição Machtmaker faz parte do Programa de Apoio a Pesquisas e Processos Artísticos do Museu de Arte Moderna da Bahia, que inicia em maio seu Programa de Residências Artísticas, com a vinda da artista portuguesa Gabriela Albergaria”, conta Solange Farkas, diretora e curadora do MAM.
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COMBINAÇÕES
"É tudo uma questão de controle", é o que diz o folheto que acompanha minha Escala de Cores Pantone®. E é verdade, é tudo uma questão de controle.
O homem empenha-se em dominar a matéria e, para isso, usa a ciência, a teoria e a linguagem tentando qualificar, quantificar e classificar os fenômenos naturais ao seu redor. Desde as cores de um pôr-do-sol, até a maneira como se cristaliza um floco de neve, ou como as ondas se formam, nós inventamos sistemas que descrevem e, dessa forma, explicam esses fenômenos.
Pantone® é um Sistema de Combinação de Cores. Ele nos oferece números ou, se preferir códigos, para todas as possíveis cores que vemos ao nosso redor, em nosso cotidiano. Das tonalidades brancas de um torrão de açúcar sobre uma mesa na varanda, no final da tarde, ao lado de uma xícara de porcelana azul, até o verde dos arbustos na frágil e brilhante luz da manhã, no topo do morro, quando estamos indo a uma cafeteria no fim da rua para o café da manhã.
Mas o que realmente significa ter a possibilidade de controlar as cores. Será que dando nome às cores permitimos que elas existam? Será que ao verbalizarmos um fenômeno visual nós o fazemos real, gerando assim um ser? Será que dizendo: “veja! aquele carro é azul bebê”, ou “a lata da Coca Cola é PMS (Pantone® Sistema de Combinação de Cores) 485, fazemos com que aquela cor se torne mais verdadeira, mais compreensível, mais útil, mais viva?
Será verdade que para que uma coisa exista ela terá que possuir um nome, símbolo ou um código, para que possamos usá-lo de maneira a descrever nossas experiências? E é essa nomeação que nos permite compartilhar estes acontecimentos? Será que algo passa a ter uma alma após receber um rótulo lingüístico? Será que nasce para a vida dessa maneira? Será que dessa forma ganha vida, vive?
A luz em Salvador da Bahia não pode ser comparada a nada que já tenha visto antes. A intensidade, nitidez e o contraste criam um efeito surrealista. Às vezes parece que está tudo iluminado como em um estúdio. Centenas de lâmpadas, todas no correto no ângulo, temperatura e intensidade, fazem com que tudo esteja exatamente como deveria estar, ou não deveria?
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Serviço
Exposição: Matchmaker
Artista: Allard van Hoorn
Período: 23 de abril a 04 de maio
Local: Galeria III , MAM, Solar do Unhão
Horários: terça a domingo, das 13h às 19h e aos sábados das 13h às 21h.
Entrada gratuita
Mais informações: 71
3117 6141
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