(foto) Crédito: GIovana Dantas e Yumi Kori
"Imanências do Mar "e "Anothe Sky "| 2008
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MAM e Sacatar expõem Yumi Kori e Giovana Dantas
Artistas contempladas com residências artísticas no Instituto Sacatar entram em cartaz no Museu de Arte Moderna da BahiaEm mais uma iniciativa de dinamizar o contexto da arte contemporânea na Bahia, o Museu de Arte Moderna (MAM) recebe, a partir de 28 de março, as exposições "Another Sky", da japonesa Yumi Kori e "Imanências do Mar", da baiana Giovana Dantas. O lançamento está marcado para as 19 horas e ambas as mostras acontecem na galeria do subsolo do MAM, ficando em cartaz até o dia 20 de abril. A iniciativa marca o início de uma parceria entre o Museu e o Instituto Sacatar. Localizado em Itaparica, o Sacatar é uma entidade brasileira sem fins lucrativos que desenvolve um programa de residências artísticas aberto para todo o mundo. O objetivo é possibilitar a oportunidade de os artistas dialogarem entre si e interagirem com a cultura baiana. São contemplados indivíduos de qualquer área criativa que têm todas as despesas custeadas pelo Instituto.

Segundo a curadora internacional e diretora do MAM, Solange Farkas, a residência artística “é uma oportunidade excepcional para o artista pesquisar linguagem, ter tempo e recurso para desenvolver uma idéia, refletir sobre um lugar, aprender e dialogar com os artistas ao seu redor. Estes são processos fundamentais na vida contemporânea e que complementam as ações de museus ao redor do mundo. Neste sentido, é que a parceria do MAM com o Instituto Sacatar se configura”.




Giovana Dantas
Embarcações, cardumes, casas de pesca, tábuas de cortar peixe, enfim, artefatos ligados àqueles que ganham a vida com a riqueza do mar. Desdobramentos da presença do mar na vida social de marisqueiras e pescadores. Esta ambientação compõe a exposição "Imanências do Mar", da baiana Giovana Dantas. "Sempre vivi na beira do mar, e isso foi o bastante para uma inquietação que se inicia mesmo antes da consciência e da maturidade artística", declara.Para ingressar na residência artística que resultou na exposição, a artista passou por uma seleção concorrendo com 465 artistas de 60 países, para uma das 30 vagas oferecidas. Entre os meses de dezembro de 2007 e janeiro de 2008, ela dedicou-se ao processo artístico, interagindo mais profundamente com a comunidade de Baiacu, uma pequena vila onde conheceu marisqueiras e pescadores. "O projeto enviado inicialmente para concorrer ao prêmio de residência artística no Sacatar teve seu foco no registro poético de situações recolhidas nos ambientes que dialogam com o mar de diferentes maneiras, priorizando objetos e situações que rompem com a visão romântica, cantada em verso e prosa, sobre o mar da Bahia", conta Giovana. A artista diz que a localização do Instituto, na Ilha de Itaparica, foi um fator de extrema importância para o desenvolvimento e finalização da pesquisa artística, pois, além de oferecer a estadia, proporciona meios de aproximação e interação com a comunidade. Nesse sentido, Solange Farkas salienta que “as residências funcionam como verdadeiras incubadeiras de processos e expressões visuais, ensaiam-se trabalhos inovadores que podem gerar outras oportunidades de circulação nos circuitos de arte contemporânea”.

Imanências do Mar é composta de seis obras, sendo elas Embarcações, um conjunto de tapetes confeccionados a partir de fotografias de Itaparica e da vila de Baiacu; Cardumes, instalação formada por rabos de diferentes peixes; Paieiro, vídeo; Tendar, fotografias; Tempo de Corte, instalação com ferramentas e equipamentos e Tempo do Sal, composta de objetos que sofreram a ação do mar. "Todo um conjunto de formas materiais e imateriais se agrupa nas minhas sensações e lembranças em torno do mar e de objetos cotidianos que se tornam impregnados da sua essência. Tornei-me uma colecionadora", conclui a artista.

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Another Sky
Uma janela com vista para uma parede branca. Essa falta de perspectiva inspirou a artista japonesa Yumi Kori para a concepção da instalação "Another Sky", que ficará exibida em dois espaços do subsolo do MAM. Formada pela Universidade de Kyoto e pela Universidade de Columbia, Yumi Kori atua entre o Japão e os Estados Unidos, sendo conhecida mundialmente por trabalhar luzes, sons e sombras no espaço. Ela escolheu a residência no Sacatar para aprofundar esse conceito.

O trabalho desenvolvido no período que permaneceu na entidade “teve grande importância no meu crescimento pessoal, formando também para mim um novo céu. O contato com a natureza, o estilo de vida das pessoas, a cultura brasileira, tudo isso realmente mudou a minha forma de ver o mundo”, conta a artista.A instalação “Another Sky” foi desenvolvida especialmente para o MAM e para isso a artista se baseou tanto no espaço como na história do Museu. "Ao entrar em uma das salas que já foi uma cela, a imagem que se tem da janela é a de uma parede branca que não oferece perspectiva, nenhuma visão de futuro. Acredito que houve muito sofrimento nesse lugar. Ali havia escravos, pessoas presas. Então a idéia é utilizarmos elementos que proporcionem uma nova perspectiva, um outro céu".

O Museu de Arte Moderna da Bahia é uma instituição do Governo da Bahia e está vinculada diretamente ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), autarquia da Secretaria da Cultura da Bahia (Secult), responsável pela gestão dos museus estaduais baianos.

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Pesquisas em processo
Programas de Residência Artística proporcionam experiências pessoais de desaceleração do tempo, observação e imersão no trabalho. Funcionam como verdadeiras incubadoras de processos e expressões visuais, oferecendo oportunidades excepcionais para o artista pesquisar linguagem, ter tempo e recurso para desenvolver uma idéia, refletir sobre um lugar, aprender e dialogar com os artistas ao seu redor. Estes são processos fundamentais na vida contemporânea, que complementam as ações de museus ao redor do mundo. Nas residências se ensaiam trabalhos inovadores, que podem gerar outras possibilidades de circulação.

A parceria do Museu de Arte Moderna da Bahia com o Instituto Sacatar se configura exatamente nesse sentido: através do Programa de Residência, proporcionar a criação de novos formatos, apresentando ao público o resultado de pesquisas em processo nos circuitos de arte contemporânea.

É justamente o resultado da primeira experiência de residência MAM-Sacatar que as artistas Giovana Dantas e Yumi Kori expõem no subsolo do casarão do MAM. Em Imanências do Mar, a artista baiana – carregada de suas paisagens marinhas, seus moradores, seus restos e suas extensões – foca seu trabalho no esforço corporal para a realização da pesca.  Através do cotidiano de suas mulheres, dos fragmentos materiais dessa atividade e da vida de seus personagens, dos desdobramentos da presença do mar na vida social e individual, expõe suas imanências materiais e simbólicas.Em Another Sky, a artista japonesa realiza instalações artísticas com luzes e intervenção nos espaços onde expõe. Investiga a significância da luz em cada cultura, procurando interagir com o ambiente em que suas obras são dispostas para ecoar nas memórias do local e daqueles que as contemplam.

O mar e a luz. O tempo e a meditação. O divino e a natureza. As referências do ser humano e a transcendência.

Solange Farkas
Curadora
Diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia


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Another Sky 
Yumi Kori

Turva-se a barra de ferro
A paisagem dissolve-se
Estilhaços de memórias
Diluídos em gotas de chuva
E o céu refletido num mar de lágrimas
Convite ao desconhecido





Another Sky 
Another Sky (significa “Outro Céu”) é uma instalação em locação específica (site-specific), uma obra de arte criada especialmente para o porão do MAM. Construído no século XVII, o prédio do MAM foi um engenho de açúcar, cujo porão provavelmente serviu como senzala. Estive no MAM diversas vezes e sempre ao visitar o porão, imaginava as memórias daquele lugar, as vidas e os sentimentos das pessoas ali confinadas. O conceito da obra Another Sky surgiu no momento em que eu estava observando o espaço da senzala. A pequena e lúgubre cela era formada a partir de um largo muro de pedra e era sempre fria, mesmo no verão. Há uma pequena janela com grades. Desta janela, apenas era possível enxergar uma parede branca através do pátio. Foi muito difícil focalizar nesta parede e não conseguir projetar nenhum dos meus pensamentos sobre ela. Enquanto isso, na minha imaginação, a água da chuva caindo sobre aquele lugar centenário, o suor e as lágrimas dos escravos derramados naquele chão formavam um oceano de tristeza.Em Another Sky azul o visitante encontrará o céu refletido na água (o céu só será visto como uma imagem refletida. De uma perspectiva normal, o visitante poderá apreciar a paisagem branca da janela com grades). Durante o dia, o céu irá continuamente mudar de cor e o visitante poderá acompanhar esta mudança. Durante a noite, poderá ainda visualizar uma instalação de luz da artista e apreciar assim Another Sky, um outro céu. No Another Sky vermelho transformei o porão do MAM em outro céu. Visitantes serão convidados para apreciar as características infinitas do outro céu.

Embora estas obras tenham sido feitas dentro de um espaço que anteriormente era uma prisão, eu espero que desperte nos visitantes uma reflexão sobre algo bem mais que um espaço físico de confinamento. Penso que vivemos nas nossas prisões sem barras. Pelas atividades cotidianas, nós criamos conceitos sobre nós mesmos, a sociedade e o mundo em que nós vivemos. É difícil nos livrarmos das nossas idéias preconcebidas, uma vez que nós as estabelecemos. Acredito que se procuramos por um outro céu, uma nova perspectiva, cada um pode achar uma maneira de escapar de sua própria prisão.

Yumi Kori

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Imanências do Mar
Giovana Dantas

Imanência,
permanência,
persistência.
Qualidade do que é imanente,
que existe sempre num dado objeto,
que dele não se separa,
é constante.

Vontade de potência.
O corpo como pluralidade.
Afirmação diante da vida
Presença do divino.

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Imanências do Mar
Às vezes, é preciso parar o tempo para perceber aquilo que permanece nas coisas.
Giovana Dantas, selecionada entre 463 artistas de vários paises do mundo, premiada para permanecer como artista residente no Instituto Sacatar durante os meses de dezembro 2007 e janeiro de 2008, parou o tempo e congelou o fluxo da vida e sua multiplicidade. “Congelou a dobra de cada coisa em cada coisa” (Deleuze).Giovana mergulhou fundo nos seus planos, com energia e devoção no seu objeto de pesquisa. Foi a Baiacu, uma comunidade da contra-costa da Ilha de Itaparica, e lá se emaranhou entre redes, linhas e anzóis, tecendo laços de amizade e conhecimento.

São exatamente estes laços que ela aqui (des)tece  e nos ondeia com a imanência que existe nos objetos por ela recolhidos do mar,  essencialmente colocados no tempo que ela faz existir.

Viga Gordilho

Artista visual
Membro do Conselho Curador do Instituto Sacatar


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Informações: Ascom MAM
Jornalista responsável: Juliana Maia
DRT: 2089
Contatos: 71
3117 6138 | 8877 0702
julianamaia@mam.ba.gov.br











Solange Farkas

Pesquisas em processo
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Another Sky
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Another Sky
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Imanências do Mar
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